sábado, 13 de outubro de 2007

Eu, zumbi?

Qual o sentido de uma vida sem sentido? Qual o sentido de uma vida em que não há nada além de permanecer vivo? Qual o sentido de acordar todos os dias sem qualquer perspectiva de dar um único sorriso? Qual o sentido de ir dormir todos os dias sem a perspectiva de dar um sorriso no dia seguinte? Acordar e dormir. Dormir e acordar. Qual o sentido? Por que viver um vida assim? Por que se permitir viver uma vida assim?

Por nada, além de por medo. Medo: a única força que move um ser humano a se permitir sofrer. Mas medo de quê? Eu pergunto: medo de quê? Tem sentido me permitir viver um vida sem sentido por medo? Uma vida medíocre. Que medo é esse? E quanto ao medo de viver uma vida assim? Muito mais do que medíocre: horrível. Será que eu não tenho medo disso? Tenho, muito.

Um ser humano não se satisfaz apenas com pão. Não existe um único ser humano que consiga viver só com pão. Ninguém vive sem circo. O sorriso é necessário à vida. O sorriso é a própria vida. O choro pode ser aprendizado. Mas o sorriso é vida. O pão é a vida do corpo. O sorriso, é a vida do espírito.

Ausência de sorriso é ausência de vida. Quem duvida disso talvez não tenha tido a oportunidade de conhecer a depressão. Ainda bem. Vírus e bactérias consomem o corpo. A depressão consome a alma. Suga toda a vontade de sorrir. Tira toda a vontade de se mover. Tanto em atividades físicas quanto intelectuais. Reduz um ser humano a apenas um corpo físico. Um corpo sem vontade de viver. Um corpo sem alma. Um corpo sem vida. A imagem de um zumbi.

Não existe vida verdadeira sem sorriso. Se permitir uma vida sem sorriso é condenar o próprio espírito à morte. Será que existe algum medo que valha isso tudo?

sábado, 6 de outubro de 2007

O fim do fim de semana

Quando passo a semana mal, angustiado, espero a sexta-feira chegar e o fim de semana mostra que as coisas não são tão ruins como pareceram durante a semana. Ruins, mas não tanto, senão o fim de semana não teria como mostrar isso. Quando passo a semana bem, não angustiado, espero que a sexta-feira não chegue, porque o fim de semana mostra que as coisas não são tão boas quanto pareceram durante a semana. Boas, mas não tanto, senão o fim de semana não teria como mostrar isso. De novo, nem tudo é tão ruim nem tão bom quanto eu penso. O fim de semana me mostra isso. Ora pra um lado, ora pra outro. Eis o seu fim.

Mulher de fases...

E quantas fases... Mas um dia, tudo se estabiliza... Enquanto isso, eu fico aqui, e deixa a vida me levar, às 6 da manhã :-( Complicada e perfeitinha... Menininha de fases... Menininha.



(25/05/2009) Relendo isso, acabo de me dar conta de que uma das maiores dádivas humanas é a capacidade de aprender e se libertar de si mesmo :-P

Sou muito grato por isso e reconheço o valor de ter convivido com pessoas que aparentemente me causaram sofrimento no passado. Sem elas, eu ainda não teria aprendido o que já aprendi e seria menos livre, continuaria aprisionado naquele sofrimento causado na verdade pela minha ignorância.

E, sem outras como aquelas, eu jamais irei aprender o que ainda não aprendi e continuarei aprisionado por toda a ignorância que ainda vive em mim. Por exemplo, a ignorância que às vezes ainda me faz sentir raiva daquelas pessoas ao me lembrar de certas coisas.

domingo, 30 de setembro de 2007

Matéria, energia, e vice-versa

Nesse momento em que o álcool inunda meu cérebro, as idéias começam a sair, fugindo assustadas, tal qual os tatus de suas tocas inundadas pela chuva. Vou falar agora sobre a relação entre matéria e energia, dissertando acerca do modelo que minha imaginação fértil inventou. Ele tem tudo a ver com o Heeman e os escudos de força presentes em suas histórias.

Uma coisa é certa: toda recursão tem seu caso base. Desse modo, podemos dizer que a matéria é composta de partes, que por sua vez são compostas de outras partes, que por sua vez são compostas de outras partes. Até que uma hora chegamos a uma parte mínima, indivisível, a bolinha básica de matéria. Inicialmente, acreditava-se que essa bolinha básica fosse o átomo. Descobriu-se então que não, o átomo é composto de outras partes menores. Partes essas que por sua vez também são compostas de partes menores. Mas o que interessa é que, seja qual for, deve haver uma partícula indivisível de matéria. E é sobre ela que eu quero falar.

O que é essa partícula básica de matéria? De que ela é feita? Minha idéia é a seguinte: ela é energia. Energia em alguma forma condensada. Não sei que forma, não sei de nada, não faço idéia mesmo. Aliás, não sei nem o que é energia. Só sei que a partícula elementar de matéria deve ser uma bolinha de energia com a seguinte propriedade: duas bolinhas de energia desse tipo não podem ocupar o mesmo lugar no espaço simultaneamente. Por alguma razão que eu também não faço idéia, só sei que deve ser assim. Quando uma bolinha de energia encosta em outra tentando penetrá-la, ela recebe uma força de mesma intensidade mas sentido contrário, que a impede de ocupar simultaneamente o mesmo lugar no espaço que a outra bolinha. De novo, não sei porque, não sei como funciona.

Tudo o que eu tenho é uma abstração: a partícula elementar de matéria é uma bolinha de energia condensada com a propriedade de que outra bolinha do tipo não pode penetrá-la. Em cima desse componente básico, constrói-se toda a matéria conhecida. Ou seja, toda a matéria conhecida é composta de bolinhas de energia. Assim, toda matéria é de fato, energia.

Pra ilustrar melhor. Quem se lembra dos escudos de força dos desenhos do Heeman e dos Thundercats? Eram esferas gigantes e invisíveis, mas eram impossíveis de serem penetradas. Ninguém conseguia passar por elas. Pois então, as bolinhas básicas de matéria são exatamente iguais àqueles escudos de força, mas muito menores.

Essa bolinha de energia é estável dentro de certas condições. Fora delas, ela perde suas propriedades de matéria e se desfaz, tomando uma forma convencional de energia conhecida, como a luz, por exemplo. Que condições são essas? Não sei. Mas será que isso explica o porquê massa se "transforma" em energia em velocidades próximas à velocidade da luz? Será que o fato de chegar próximo à velocidade da luz não faz com que a bolinha perca sua estabilidade e se degenere em energia convencional, ou seja, luz?

Em resumo, a matéria perde suas propriedades de matéria e degenera em energia convencional. Degenera, e não se transforma, porque na verdade, matéria e energia têm a mesma natureza. São apenas estados e formas distintas da mesma coisa. Assim como gelo e vapor de água o são: formas distintas da mesma coisa, água.

sábado, 29 de setembro de 2007

Pior que nem frio tá...

Estou aqui na ponte, esperando no escuro, pensei que você ia estar aqui agora... Não tem nada fora a chuva, nem pegadas no chão... Estou escutando mas não tem som nenhum... Será que não tem ninguém tentando me encontrar? Será que ninguém vai vir e me levar pra casa?

É uma droga de uma noite fria, estou tentando entender a vida... Será que você não vai me pegar pela mão e me levar pra algum lugar novo? Não sei quem é você, mas eu vou com você... Eu vou com você... Eu vou com você.

Estou procurando um lugar... Procurando por um rosto... Tem alguém que eu conheço aqui? Porque não tem nada dando certo, tá tudo uma bagunça, e ninguém gosta de ficar sozinho... Será que não tem alguém tentando me encontrar... Será que não vai aparecer alguém e me levar pra casa?

É uma droga de uma noite fria, estou tentando entender a vida... Será que você não vai me pegar pela mão e me levar pra algum lugar novo? Não sei quem é você, mas eu vou com você... Eu vou com você... Eu vou com você.

Por que tudo está tão confuso? Talvez eu só esteja meio louco... Acho que sim.


sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Close your eyes... and dream...

She walked by the ocean,
And waited for a star,
To carry her away.

Feelin' so small,
At the bottom of the world,
Lookin' up to God.

She tries to take deep breaths,
To smell the salty sea,
As it moves over her feet.

The water pulls so strong,
And no-one is around,
And the moon is looking down.



Sayin',
Rosie - come with me,
Close your eyes - and dream.

The big ships are rollin',
And lightin' up the night,
And she calls out, but they just her pass by.

The waves are crashin',
But not making a sound,
Just mouthing along.

Sayin',
Rosie - come with me,
Close your eyes and dream,
Close your eyes and dream,
Close your eyes and dream.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

O espelho da alma

Os olhos dizem muito sobre alguém. Talvez digam tudo aquilo que mais importa, pelo menos pra mim, saber. Quando vemos alguém pela primeira vez, ainda não temos uma idéia concebida sobre aquela pessoa, mas conseguimos ter uma intuição a respeito de como ela é: é séria, brava, aquele tipo de pessoa que só de chegar perto o clima já fica pesado, ou ao contrário, é leve, agradável, aquele tipo de pessoa que transmite alguma paz ou alegria ao ambiente em que está.

São os olhos, ou o olhar (talvez dentre outras coisas como o jeito de falar), que nos dizem isso. É a tal da primeira impressão. Em geral, ela se confirma quando passamos a conhecer a pessoa ao longo do tempo, conhecer de verdade, ir além da casca. Talvez a pessoa tenha uma casca diferente daquilo que intuimos à primeira vista, no olhar, mas a essência, no fundo, no fundo, em geral reflete aquela impressão.

Acho que é a mesma coisa que faz alguém ser rotulado de simpático ou não. Isso é o tal do carisma, ou pelo menos parte dele. Aquela pessoa que, faça chuva ou faça sol, tem sempre aquela expressão pesada, fechada, mesmo quando sorri, não é simpática, por maior que seja sua beleza física. Por outro lado, aquela pessoa que tem a expressão leve, o sorriso verdadeiro, é simpática, ainda que sem beleza física.

Quantas pessoas conhecemos que nos causam asco, que nos sentimos mal só de ficar perto, mesmo sem que elas façam algo de ruim? Quantas pessoas conhecemos que nos causam impressão contrária, que nos sentimos bem com a presença, que têm aquele sorriso com olhar vivo, com brilho, como se emanasse dos olhos algum tipo de energia que nos faz bem?

Não há nada como olhar pra alguém com aquele sorriso. Era só isso que eu estava pensando agora. Que os olhos são mesmo o espelho da alma. E a beleza da alma, é a beleza interior. Ainda bem.