quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Perfeição

Um certo professor uma vez disse: façam o que fizerem, façam pelo prazer de fazer bem feito. Nunca me esqueci dessa frase e agora resolvi refletir sobre ela. Por que alguém gostaria de seguir tal conselho? Não seria melhor, mais fácil, mais rápido, fazer de qualquer jeito? Acho que não.

Quem faz pelo prazer de fazer bem feito tem uma recompensa automática pelo próprio trabalho: o prazer de ter conseguido fazer bem feito, o prazer de ter conseguido se superar, o prazer de ter conseguido evoluir, o prazer de ser melhor agora do que um segundo atrás. Então, mesmo que não lhe paguem nada ou que ninguém reconheça seu trabalho, ainda assim se está ganhando alguma coisa: satisfação.

O comentário óbvio: "mas e daí? o que eu faço com a satisfação? o que eu ganho com ela?". A resposta indignada: "como assim o que você faz com isso?! pra que você vive?! pra que serve a satisfação?! a própria palavra já não define a resposta?! você fica satisfeito! você fica em paz! você fica feliz! qual é o objetivo final de tudo o que vc faz na sua vida?! não é esse mesmo?!"

Quem sempre ganha mais no fim das contas então: quem faz tudo de qualquer jeito ou quem faz bem feito?

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Simples

...e no fim das contas, tudo é só isso...

Ando devagar porque já tive pressa
Levo esse sorriso porque já chorei demais
Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe,
Só levo a certeza de que muito pouco eu sei,
Nada sei.

Conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs,
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso chuva para florir...



Penso que cumprir a vida seja simplesmente
Compreender a marcha e ir tocando em frente,
Como um velho boiadeiro levando a boiada
Eu vou tocando os dias pela longa estrada eu vou.
Estrada eu sou

Conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs,
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva para florir

Todo mundo ama um dia, todo mundo chora,
Um dia a gente chega, e no outro vai embora.
Cada um de nós compõe a sua história
Cada ser em si carrega o dom de ser capaz,
E ser feliz

Conhecer as manhas e as manhãs
O sabor das massas e das maçãs
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva para florir

Ando devagar porque já tive pressa
Levo esse sorriso porque já chorei demais
Cada um de nós compõe a sua história,
Cada ser em si carrega o dom de ser capaz
E ser feliz
Almir Sater e Renato Teixeira

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Evitar

Quando a gente está com raiva, o melhor é não falar nada, porque na certa a gente vai falar besteira. Quando a gente recebe uma má notícia, o melhor é não pensar em nada, porque na certa a gente vai pensar besteira.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Natural

Você já parou pra pensar que morrer é natural e faz parte da vida? Que morrer não é uma tragédia ou uma aberração. Que, pelo contrário, aberração seria não morrer. É estranho pensar sobre isso, mas morrer é natural. Talvez pensar um pouco sobre isso possa ajudar a enxergar a morte com mais calma. E onde tem calma, tudo é sempre mais fácil.

sábado, 6 de setembro de 2008

Inconsciente

Pra mente não existe espaço ou tempo. Pra mente, existem memórias e emoções associadas a elas. Nos lembramos de algo, e automaticamente sentimos algo. Dois exemplos: nos lembramos de uma viagem que fizemos e gostamos, e nos sentimos bem com a lembrança; nos lembramos do dia em que alguém morreu, e nos sentimos mal com essa lembrança.

Atualmente e infelizmente, a lembrança de uma determinada pessoa me traz sentimentos muito fortes e ruins. Coisas como raiva e rancor. Durante os últimos meses, não tenho passado um só dia sem sentir tais coisas pelo menos uma vez. Em maior ou menor intensidade. Uma ou várias vezes. Porém, todos os dias. Mas não é esse o ponto onde quero chegar.

Tenho memórias de momentos muito bons com essa mesma pessoa. Momentos dos melhores que eu já vivi. Agora o ponto onde quero chegar: essas memórias não podem mais me trazer nenhum bom sentimento. É uma coisa muito estranha. Sempre que tento me lembrar daqueles momentos bons, é como se minha mente resistisse e imediatamente tentasse mudar meu foco. Só consigo me lembrar e muito rapidamente de cenas dessas memórias. Mas essas cenas não trazem consigo o sentimento bom que deveriam. Na verdade, elas não trazem sentimento nenhum.

Como isso é possível? Memórias sem sentimentos. Memórias que minha mente não quer que eu acesse.

domingo, 17 de agosto de 2008

Uma doença

Certos animais vivem sozinhos, por exemplo os gatos. Outros vivem em grupos, como os leões, e também os seres humanos. Assim, o ser humano é um ser social, o que significa que ele não vive sozinho. E daí?

As pessoas sentem a necessidade de serem aceitas em algum grupo. Uma pessoa ser aceita em um grupo, implica que as pessoas daquele grupo gostem dela. Ou seja, as pessoas precisam que outras pessoas gostem delas. Isso pode ser encarado como um instinto de sobrevivência (se imagine sozinho na pré-história pra enxergar melhor isso).

Uma pessoa com baixa auto-estima não gosta de si mesma. Como ela não gosta de si mesma, ela imagina que as outras pessoas também não podem gostar dela. Ainda assim, como qualquer ser humano, ela sente a necessidade de ser gostada. Como ela acredita que as pessoas não podem gostar dela por ela mesma, ela procura encontrar algum outro meio de atrair a atenção alheia. Algum outro meio para que as outras pessoas gostem dela, para que lhe dêem atenção, para que se importem. Isso acontece consciente ou inconscientemente.

É possível citar alguns exemplos para que fique mais claro:
alguém que vive contando vantagem: minha casa tem dezessete quartos, tenho nove carros e amanhã vou comprar uma Ferrari.

alguém que vive contando histórias meio absurdas e difíceis de acreditar: ontem eu fui dar uma volta e encontrei o Paul McCartney tentando compor uma música lá perto de casa; dei umas sugestões pra ele e ele disse que vai gravar.

alguém que por algum movito se gaba de familiares ou conhecidos: meu avô é suiço e minha avó alemã; meu pai é diretor financeiro da ACME e minha mãe física nuclear; meu amigo é amigo do Ronaldinho Gaúcho.

alguém que se gaba das próprias habilidades: toco seis instrumentos e agora estou dando um curso de computação quântica em Harvard.
Uma pessoa que age assim acredita que as outras pessoas vão gostar dela pelo que tem, por suas habilidades, por quem ela conhece, etc. Se ela não agir assim, ela acredita que as pessoas não vão ter motivos para gostarem dela. Afinal, se ela não gosta de si mesma simplesmente por si mesma, por que alguém iria gostar?

Os exemplos dados até aqui são de coisas que poderiam atrair as pessoas: posses, habilidades ou relacionamentos com pessoas de posses ou habilidades. Mas também há exemplos de coisas não tão positivas assim, que ao invés de atrair, teriam efeito oposto, repeliriam as pessoas. Mas que uma pessoa faz na esperança de atrair a atenção alheia para si:
alguém que vive brigando com todo mundo, sempre causando problemas, por exemplo playboys que vivem arrumando confusão em baladas.

alguém que vive falando das próprias doenças: ai meu filho, sou uma pessoa muito doente, quebrei a perna ontem e hoje o tumor que eu tenho no cérebro tá me deixando meio tonto, como minha vida é difícil.
Não são exemplos de coisas que serviriam para uma pessoa fazer propaganda sobre si mesma. Mas servem para chamar a atenção: o playboy que sempre arruma briga acredita que as pessoas vão notá-lo porque ele está brigando, e que de outro modo elas não teriam motivo nenhum para notá-lo. A pessoa que dramatiza as próprias doenças espera atrair a piedade alheia, um modo de sentir que outras pessoas se importam com ela ou, sob outro ponto de vista, que gostam dela, e que sem isso não teriam porque se importar.

Existem outros, talvez inúmeros, exemplos que poderiam ser dados. Mas o importante aqui é: pessoas com baixa auto-estima tomam os mais diversos caminhos procurando atrair a atenção alheia, procurando que alguém se importe ou goste de si. Essa busca em geral é mal-sucedida: ao invés de fazer com que os outros gostem de si, a pessoa só consegue virar motivo de chacota ou repelir os outros. E pior, nem se dá conta disso. Afinal de contas, quem é que leva a sério alguém que vive contando histórias absurdas e mirabolantes? Quem é que gosta de ficar ao lado de alguém que só consegue contar vantagem sobre si mesmo? Ou de alguém que vive falando e dramatizando as próprias doenças?

A baixa auto-estima é uma doença que se camufla sob os mais diversos sintomas. Sintomas que fazem a própria pessoa mergulhar num mar de sofrimento, virar motivo de chacota e repelir as outras pessoas. Ou seja, não traz nada de bom. Por isso, é necessário identificar e tratar a baixa auto-estima.

Passar a gostar de si mesmo é o primeiro passo para se livrar de comportamentos que fazem com que os outros não gostem de você. Ou seja, passar a gostar de si mesmo é o primeiro passo para que os outros possam gostar de você.

terça-feira, 29 de julho de 2008

Ciência e Arte

Na superfície, a compreensão.
No fundo, a abstração.

Na compreensão, a linguagem.

Na abstração, a verdade.

Compreendeu o contraste,
entre a ciência e a arte?

Compreender, é explicar.
Abstrair, é enxergar.

Por isso, ciência não é arte.
Mas, fazer ciência é uma arte.

Compreensão, ciência.
Abstração, arte.

Ciência, razão.
Arte, sentido.